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WELEDA LEVA COSMÉTICOS PARA A LINHA DE FRENTE NO BRASIL
SÃO PAULO - Brasileiro adora um remedinho. E boa parte simpatiza ainda mais com fórmulas naturais e homeopatia. Pois essa preferência nacional mudou o perfil da subsidiária brasileira da Weleda, laboratório homeopático e fitoterápico, em relação aos outros 80 países onde está presente. Aqui é o único lugar onde medicamento é mais importante do que cosméticos: representa 73% do negócio, contra uma média global de 35%.

Mas o que ajudou a impulsionar o negócio e a colocar o Brasil na quarta operação mundial tornou-se um problema. Com cerca de 80 medicamentos fora das prateleiras - por conta de restrições feitas pela Anvisa - a empresa enfrenta uma crise nessa área.

E, para reverter o quadro, prepara uma reestruturação dos negócios no país. Tenta replicar aqui o modelo mundial: foco nos produtos cosméticos, que hoje respondem por menos de um terço do faturamento. " O objetivo é aumentarmos a participação dos cosméticos de 27% para 34% no final do próximo ano " , afirma Johannes Walldorf, consultor para América Latina, que está no comando da empresa.

Com uma linha para cabelos, rosto, protetor solar e cuidados com bebê, a empresa pretende trazer novos produtos - como óleos corporais e novas linhas para o rosto. Já dentro dessa filosofia, em maio, a empresa lançou um óleo para celulite. Outra medida para incrementar a área de cosméticos é passar a produzir uma parte na fábrica da empresa em São Paulo. Hoje, 80% dos cosméticos são importados.

Basta saber se as embalagens com cara de remédio e quase nenhum investimento em marketing - competindo em um mercado muito mais concorrido - conseguirão sustentar o negócio daqui para frente. Mas o apelo natural e o conceito da marca, acredita o executivo, ajudarão a aumentar as vendas. " Não temos ambição de concorrer com Natura ou L ? Oréal, vamos aproveitar a valorização dos produtos naturais a nosso favor. "

Atualmente, os campeões de vendas da empresa são remédios já prontos, vendidos não só nas lojas Weleda, como em farmácias homeopáticas e até grandes redes de drogarias. Os destaques são Stressdoron e Anseodoron - indicados para estresse, insônia e ansiedade - que, juntos, respondem por 14% das vendas de remédios.

Os dois produtos não foram retirados das prateleiras pela Anvisa, mas outras marcas como Cardiodoron (para o coração), Hepatodoron (para o fígado) e o xarope de guaco - em uma lista de 80 produtos - não podem mais ser vendidos prontos. Precisam ser receitados por médicos homeopatas e manipulados em farmácias especializadas. " Vamos investir ainda mais no relacionamento com os médicos e apostar nas indicações e manipulações " , afirma Walldorf.

A empresa perdeu o registro de cinco medicamentos e outros 75 estão fora do mercado para se adequar às exigências da Anvisa. Muitos deles eram importados e precisam se adaptar à legislação brasileira - e passar por uma série de testes para obterem o registro. No Brasil, em 2003, a Anvisa mudou as regras para produtos homeopáticos e os fitoterápicos têm praticamente o mesmo tratamento de remédios alopáticos. Com essa redução no portfólio, o faturamento da empresa no Brasil, que foi de R$ 17 milhões no ano passado, deve recuar para R$ 16,3 milhões este ano. A Weleda ainda mantém cerca de 100 medicamentos à venda.

Durante quase 30 anos, a Weleda do Brasil foi controlada pela Associação Beneficente Tobias, que detinha 51% das ações, enquanto a empresa suíça era minoritária, com apenas 20%. Em janeiro do ano passado, a dona da marca assumiu o negócio ao comprar 100% das ações. Foi quando Johannes Walldorf veio ao Brasil para alinhar a subsidiária brasileira ao modelo mundial. Ele fica no comando até a chegada de um novo presidente, o que deve acontecer ainda este ano.

A Weleda foi trazida ao país em 1961 pela esposa de Gudron Burkhad, então sócio da Giroflex, fabricante de cadeiras. Em 1975, o controle foi passado à associação (criada pelo casal).

(Daniela D'Ambrosio | Valor Econômico)


Fonte: G1 Portal de notícias
 
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